Da Ásia para o Brasil: como uma brasileira conheceu o jogo Go-Stop (고스톱) – Parte 1

“O que é Kpop? Por que você gosta desses “japas”? Por que você está estudando coreano?” Ultimamente tenho escutado com muita frequência esse tipo de pergunta. Normal a curiosidade das pessoas. Se alguém estivesse estudando Russo, Tailandês ou Checo eu provavelmente ficaria curiosa. Afinal, são línguas distantes do Brasil, tanto geográfica quanto maternalmente.

Desde que me entendo por gente gosto da Ásia, em especial, do Japão. Mas a Coreia do Sul….ahhh, a Coreia foi um “lance” diferente. É engraçado pensar que a Coreia já estava na minha vida faz tempo, só não tinha prestado a atenção que ela merecia. No ano de 2008 e/ou 2009 (não tenho certeza em qual) eu lia vários blogs, dentre eles o Muito Japão, Japão Bizarro, Indi(a)gestão, Bem Legaus, entre outros. No meio desses, descobri o De Prosa na Coreia, escrito de modo divertido e descontraído pelo, na época, estudante mineiro Henrique Teixeira – atualmente ele é professor na Dankook University/ Gyeonggi – Coreia do Sul. Lia também o Gustavo in Korea, outro brasileiro se aventurando em um país tão distante do nosso. Acompanhava esses blogs mas jamais havia passado pela minha cabeça a ideia de viajar até lá.

Em 2010 mudei de cidade, sai de São Luís do Maranhão para o Rio de Janeiro começar uma vida nova. Em 2014 ingressei no mestrado e justamente na reta final da redação da dissertação, em 2016, me encantei pelo kpop (música pop coreana). E com o kpop vieram os programas de variedades, os doramas (“novelas” coreanas), filmes coreanos e o interesse em aprender uma língua tão diferente. No meio desse caldeirão cultural, assisti a um filme na Netflix chamado Tazza: uma cartada mortal protagonizado pelo rapper, cantor, ator e produtor musical, Choi Seung-hyun, mais conhecido pelo seu nome artístico T.O.P. No filme, Seung-hyun dá vida a Ham Dae-gil, um jovem com talento para jogar cartas. No decorrer do filme, ele se envolve em uma rede de máfia, corrupção e violência. O fato de T.O.P estar no filme me fez querer assisti-lo. Já o admiro como cantor e faltava ver o lado ator. Além da excelente atuação, roteiro, trilha sonora, o que me chamou atenção foram as cartas. Diferentes do baralho, elas eram pequenas, com desenhos caprichados e verso na cor vermelha. Nunca tinha visto aquele tipo de carta e aquilo me deixou curiosa ao ponto de querer jogar aquele jogo.

Fonte: https://goo.gl/wcB7n5
Choi Seung-hyun como Ham Dae-gil em Tazza

Toda essa onda coreana na minha vida aconteceu no ano passado. Por coincidência, foi no mesmo ano das Olimpíadas no Rio de Janeiro, a qual tive o prazer de participar assistindo aos jogos e visitando as casas temáticas de alguns países. É claro que fui na casa coreana (PyeongChang 2018 House) várias e várias vezes. Nessa casa, além deles apresentarem a cultura coreana, e fazer propaganda para as Olimpíadas de Inverno de 2018, estava ocorrendo um sorteio para visitar a Coreia do Sul com tudo pago. Para minha IMENSA sorte e alegria, eu fui uma das contempladas! Lá fui eu para Coreia em março de 2017. Entre indas e vindas, encontro na prateleira de um mercado de conveniência o jogo Go-Stop (고스톱). Ou, para os fãs de kpop/dorama, o “jogo do T.O.P.”. Comprei e finalmente joguei ele com minhas amigas do LMD/CiberCog. No próximo post, irei contar como foi essa experiência. Espero que tenha gostado desse e volte para terminar o relato desta aventura… <3

Foto 1- No palácio de Gyeongbokgung com o maridão; Foto 2- com os mascotes das Olimpíadas de Inverno no aeroporto
Foto 3 – Com a estátua do Rei Sejong (criador do alfabeto coreano, o Hangul); Foto 4 – Na K-Star Road, no bairro Gangnam, com o art toy do grupo BTS.

Pollyana Escalante